Pontos principais
Escolher entre DIU hormonal ou de cobre depende principalmente de como você quer que fique a sua menstruação e de como o seu corpo lida com hormônios. O DIU de cobre não tem hormônio e tende a manter o ciclo natural, às vezes com fluxo e cólicas maiores, enquanto o DIU hormonal libera um progestagênio no útero e costuma reduzir o sangramento.
- Os dois são dispositivos intrauterinos de longa duração, reversíveis e com alta eficácia contraceptiva.
- O DIU de cobre age sem hormônio, criando um ambiente no útero desfavorável aos espermatozoides.
- O DIU hormonal libera levonorgestrel localmente, engrossa o muco do colo e afina o endométrio.
- O DIU de cobre pode aumentar fluxo e cólicas; o hormonal tende a diminuir o sangramento e pode até suspendê-lo.
- A inserção é feita no consultório, após avaliação ginecológica, e exige acompanhamento depois.
- Nenhum dos dois protege contra infecções sexualmente transmissíveis.
Como cada DIU age
DIU de cobre
O DIU de cobre é uma pequena estrutura, geralmente em formato de T, revestida por fios ou anéis de cobre. Ele não libera hormônio. O cobre provoca uma reação inflamatória local no útero que é tóxica para os espermatozoides e para o óvulo, dificultando a fecundação. Como não interfere nos hormônios do ciclo, a ovulação continua acontecendo normalmente e a menstruação segue o seu ritmo natural.
DIU hormonal
O DIU hormonal tem estrutura semelhante, mas carrega um reservatório que libera de forma contínua pequenas quantidades de levonorgestrel, um progestagênio, diretamente dentro do útero. O hormônio deixa o muco do colo do útero mais espesso, o que bloqueia a passagem dos espermatozoides, e torna o endométrio mais fino. Em parte das mulheres a ovulação também pode ser inibida, mas esse não é o mecanismo principal. Como a ação é sobretudo local, a quantidade de hormônio que chega à circulação é menor do que a de métodos orais, embora não seja nula.
Existem modelos hormonais de tamanhos e tempos de uso diferentes, assim como existem variações do DIU de cobre. A médica explica qual modelo faz sentido para o seu útero e por quanto tempo ele mantém a ação, conforme a bula de cada dispositivo.
DIU hormonal ou de cobre: efeito no ciclo e no fluxo
Essa costuma ser a pergunta decisiva. Com o DIU de cobre, a menstruação continua vindo, mas pode ficar mais volumosa, mais longa e com mais cólica, principalmente nos primeiros meses. Para quem já tem fluxo intenso ou cólicas fortes, isso pesa na escolha.
Com o DIU hormonal, é comum ter escapes e sangramentos irregulares no início da adaptação. Com o tempo, o fluxo tende a diminuir de forma importante, e muitas mulheres deixam de menstruar enquanto usam o dispositivo. A ausência de menstruação nessa situação não indica problema de saúde, porque é consequência do endométrio mais fino. Por esse efeito, o DIU hormonal também é usado no cuidado de algumas condições que cursam com sangramento aumentado ou dor pélvica, como alterações relacionadas a mioma uterino ou endometriose, sempre dentro de um plano definido pela médica.
| Aspecto | DIU de cobre | DIU hormonal |
|---|---|---|
| Hormônio | Não tem | Libera levonorgestrel no útero |
| Mecanismo principal | Reação local ao cobre, desfavorável aos espermatozoides | Muco do colo espesso e endométrio fino |
| Ovulação | Mantida | Mantida na maioria; pode ser inibida em parte das mulheres |
| Fluxo menstrual | Pode aumentar | Tende a diminuir ou cessar |
| Cólicas | Podem aumentar | Tendem a diminuir com o tempo |
| Adaptação inicial | Fluxo maior e cólicas | Escapes e sangramento irregular |
| Efeitos hormonais | Ausentes | Possíveis, em geral leves |
Efeitos possíveis e riscos dos dois métodos
Alguns cuidados valem para qualquer DIU. Pode haver dor e cólica no dia da inserção e nos dias seguintes. Existe a possibilidade de expulsão, quando o dispositivo se desloca e sai total ou parcialmente do útero, o que é mais provável nos primeiros meses. A perfuração da parede do útero durante a inserção é rara. O risco de infecção pélvica fica mais concentrado no período logo após o procedimento. Se uma gravidez ocorrer com o DIU no lugar, o que é pouco comum, ela precisa de avaliação rápida, porque há maior chance de ser fora do útero.
No DIU hormonal, algumas mulheres relatam acne, dor de cabeça, sensibilidade nas mamas, alterações de humor e cistos funcionais nos ovários, que costumam regredir sem tratamento. No DIU de cobre, o principal incômodo é o aumento do sangramento e das cólicas, que pode melhorar com o tempo ou, em alguns casos, levar à retirada. Procure atendimento se surgir dor pélvica intensa, febre, corrimento com odor forte, dor na relação ou sangramento muito acima do esperado.
Como é a inserção do DIU
Antes de colocar, a médica faz uma consulta com exame ginecológico e pode solicitar exames para avaliar o útero e descartar infecções, além de confirmar que não há gestação. O procedimento é feito no consultório ou em ambiente preparado, dura poucos minutos e consiste em passar um aplicador fino pelo colo do útero para posicionar o dispositivo. Os fios ficam no fundo da vagina e servem para a checagem e para a retirada futura.
A sensação varia: algumas mulheres sentem uma cólica forte e passageira, outras referem desconforto leve. Há estratégias para reduzir a dor, discutidas caso a caso. Depois da inserção, costuma ser marcado um retorno para confirmar o posicionamento, muitas vezes com ultrassonografia. A retirada também é simples e, se você quiser engravidar, a fertilidade volta logo depois.
Quem tende a se beneficiar de cada um
Não existe um DIU melhor para todas as mulheres, e sim o que combina com o seu momento. De forma geral e educativa:
Perfis que costumam considerar o DIU de cobre
- quem prefere ou precisa de um método sem hormônio;
- quem tem ciclos regulares, fluxo leve a moderado e pouca cólica;
- quem deseja manter a menstruação como sinal do ciclo.
Perfis que costumam considerar o DIU hormonal
- quem tem fluxo intenso, cólicas fortes ou anemia associada ao sangramento;
- quem se sente bem com a ideia de sangrar menos ou não menstruar;
- quem tem condições ginecológicas em que a médica avalia benefício da ação local do progestagênio.
Há também situações em que o DIU não é indicado ou pede investigação antes, como gravidez, infecção pélvica ativa, sangramento sem causa esclarecida, alterações importantes no formato da cavidade uterina e alguns tipos de câncer ginecológico. Para o DIU hormonal, entram ainda condições como câncer de mama; para o de cobre, alergia ao cobre e doenças raras do metabolismo desse mineral. Se você prefere um método fora do útero, o implante anticoncepcional é outra opção de longa duração.
A decisão com a médica
A escolha considera seu histórico menstrual, a presença de dor ou fluxo aumentado, doenças prévias, planos de gravidez e o que você espera do método. Na consulta com a Dra. Renata Belatti, médica ginecologista e nutróloga (CRM 169.361), essas preferências são colocadas na mesa junto com os achados do exame, para que a decisão seja tomada em conjunto e com clareza sobre efeitos esperados e limitações de cada dispositivo.
Leia também
- Implante anticoncepcional: como funciona, colocação e retirada
- Endometriose: sintomas, diagnóstico e tratamento
- Exames ginecológicos de rotina
Perguntas frequentes
DIU de cobre engorda?
O DIU de cobre não tem hormônio, então não há um mecanismo hormonal que leve ao ganho de peso. Variações de peso durante o uso costumam ter outras causas, que podem ser avaliadas na consulta.
O DIU hormonal faz parar de menstruar?
Em muitas mulheres o fluxo diminui bastante e pode cessar com o tempo. Isso decorre do endométrio mais fino e, nesse contexto, não traz prejuízo à saúde.
Quem nunca teve filhos pode usar DIU?
Sim, ter tido filhos não é requisito. A avaliação do útero na consulta define se o dispositivo é adequado e qual modelo pode ser mais confortável.
Dá para sentir o DIU na relação sexual?
Normalmente não. O parceiro pode, às vezes, perceber os fios; se isso incomodar ou se você sentir dor na relação, procure a médica para checar o posicionamento.
Como saber se o DIU está no lugar?
O retorno após a inserção, muitas vezes com ultrassonografia, confirma o posicionamento. Depois, as consultas de rotina mantêm esse acompanhamento.
Posso trocar de um tipo de DIU para o outro?
Sim. Se o método atual não estiver adequado, a troca pode ser discutida com a médica, que avalia o melhor momento e o modelo indicado.