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Mioma uterino: sintomas, tipos e opções de tratamento

Dra. Renata Belatti Dra. Renata Belatti · CRM 169.361 · Ginecologista e nutróloga 8 min de leitura

Pontos principais

O mioma uterino é um tumor benigno formado por fibras musculares do útero, muito comum em mulheres em idade reprodutiva. Muitos miomas não causam sintomas e só precisam de acompanhamento, mas alguns provocam sangramento menstrual aumentado, dor e sensação de pressão na pelve, e nesses casos existem tratamentos clínicos e cirúrgicos.

  • Mioma é benigno, e a transformação em câncer é considerada rara.
  • A localização do mioma (submucoso, intramural ou subseroso) influencia mais os sintomas do que o tamanho isolado.
  • Miomas sem sintomas, em geral, podem ser apenas acompanhados com consultas e ultrassom.
  • Sangramento intenso pode levar à anemia e merece investigação, mesmo que você já esteja acostumada com ele.
  • O tratamento depende dos sintomas, do tamanho, da localização, da idade e do desejo de engravidar.

O que é mioma uterino

O mioma, também chamado de leiomioma ou fibroma, é um nódulo formado por músculo liso e tecido fibroso que cresce na parede do útero. Ele pode ser único ou aparecer em vários pontos ao mesmo tempo, e o tamanho varia de poucos milímetros a nódulos que aumentam bastante o volume do útero.

O crescimento é influenciado pelos hormônios femininos, principalmente estrogênio e progesterona. Por isso os miomas costumam surgir e crescer durante a vida reprodutiva e tendem a diminuir depois da menopausa, quando a produção hormonal cai. Para entender melhor esse equilíbrio, vale ler sobre hormônios sexuais.

A causa exata não é conhecida, mas alguns fatores aumentam a chance de ter miomas:

  • Histórico de miomas na mãe ou em irmãs.
  • Primeira menstruação em idade precoce.
  • Não ter tido gestações.
  • Excesso de peso e pressão alta.
  • Ascendência negra, já que mulheres negras tendem a apresentar miomas mais cedo e com mais frequência.

Tipos de mioma pela localização

A posição do mioma em relação às camadas do útero é o que mais ajuda a prever os sintomas e a escolher o tratamento.

Mioma submucoso

Fica logo abaixo do endométrio e se projeta para dentro da cavidade do útero. Mesmo quando pequeno, costuma causar sangramento intenso e pode atrapalhar a implantação do embrião.

Mioma intramural

Cresce dentro da parede muscular do útero e é o tipo mais comum. Quando pequeno, muitas vezes não dá sintomas. Quando maior, pode aumentar o útero, intensificar a menstruação e causar dor.

Mioma subseroso

Cresce para fora do útero, na superfície externa. Raramente aumenta o sangramento, mas pode pressionar bexiga, intestino e outras estruturas da pelve.

Mioma pediculado

É um mioma preso ao útero por uma espécie de haste, que pode ficar para dentro da cavidade ou para fora. Em situações raras, essa haste torce e provoca dor aguda.

TipoOnde ficaSintomas mais associados
SubmucosoProjeta-se para dentro da cavidade do úteroSangramento intenso, anemia, dificuldade para engravidar
IntramuralDentro da parede muscularFluxo aumentado, cólica, aumento do útero
SubserosoNa superfície externa do úteroPressão na bexiga ou no intestino, volume abdominal
PediculadoPreso por uma haste, dentro ou fora do úteroGeralmente silencioso; dor aguda se houver torção

Sintomas do mioma uterino e diagnóstico

Boa parte das mulheres com mioma não sente nada e descobre o nódulo em um ultrassom de rotina. Quando há sintomas, os mais comuns são estes:

Sangramento menstrual aumentado

Fluxo muito intenso, presença de coágulos, menstruação mais longa e necessidade de trocar o absorvente durante a noite são sinais frequentes. Com o tempo, a perda de sangue pode causar anemia, que aparece como cansaço, falta de ar aos esforços, palidez, tontura e queda de cabelo.

Dor e cólica

Cólicas mais fortes no período menstrual, dor pélvica contínua ou dor na relação sexual podem acontecer, dependendo do tamanho e da posição do mioma.

Pressão e aumento do volume abdominal

Miomas grandes podem causar sensação de peso na pelve, vontade frequente de urinar, dificuldade para esvaziar a bexiga, prisão de ventre e aumento da barriga, às vezes confundido com ganho de peso.

Fertilidade e gestação

Miomas submucosos e alguns intramurais que deformam a cavidade do útero podem dificultar a gravidez ou aumentar o risco de perda gestacional. Muitas mulheres com mioma têm gestações sem complicações, mas o acompanhamento pré-natal tende a ser mais atento.

Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico combina a conversa, o exame ginecológico e o ultrassom transvaginal, que é o principal exame para localizar e medir os miomas. A ressonância magnética pode ajudar em casos com muitos nódulos ou no planejamento de procedimentos, e a histeroscopia permite ver a cavidade do útero por dentro. O hemograma avalia se há anemia. Esses exames fazem parte do cuidado descrito em exames ginecológicos de rotina.

Quando só acompanhar o mioma

Ter mioma não significa precisar de tratamento. Quando o nódulo não causa sintomas, não cresce de forma rápida, não provoca anemia e não interfere em planos de gravidez, a conduta costuma ser o acompanhamento, com consultas e ultrassons periódicos em intervalos definidos pelo médico.

Essa decisão faz ainda mais sentido perto da menopausa, já que os miomas tendem a diminuir quando os hormônios caem. Alguns sinais, porém, indicam que é hora de reavaliar:

  • Aumento do sangramento ou do tempo de menstruação.
  • Dor nova ou que piora com o tempo.
  • Crescimento rápido do mioma entre um exame e outro.
  • Sintomas de anemia.
  • Qualquer sangramento depois da menopausa ou crescimento do mioma nessa fase, que sempre exige investigação.

Opções de tratamento do mioma uterino

A escolha do tratamento leva em conta os sintomas, o número, o tamanho e a localização dos miomas, a idade, o desejo de engravidar e a preferência da paciente. Cada opção tem benefícios, limitações e riscos que precisam ser discutidos com o médico.

Tratamento clínico

O objetivo principal é controlar o sangramento e a dor. Podem ser usados anti-inflamatórios, medicamentos antifibrinolíticos, que reduzem a perda de sangue durante a menstruação, e métodos hormonais, como anticoncepcionais, progestagênios e o DIU hormonal, este último indicado conforme o formato da cavidade do útero. Há também medicamentos que bloqueiam temporariamente a ação dos hormônios e podem reduzir o volume dos miomas por um período, às vezes antes de uma cirurgia, mas com efeitos parecidos com os da menopausa. Quando existe anemia, a reposição de ferro faz parte do cuidado. Todas essas opções dependem de avaliação e prescrição individual.

Procedimentos minimamente invasivos

A miomectomia histeroscópica retira miomas submucosos pelo canal vaginal, sem cortes na barriga. A embolização das artérias uterinas, feita por radiologista intervencionista, bloqueia o fluxo de sangue que nutre os miomas e pode reduzir os sintomas em casos selecionados, mas não é indicada para todas as mulheres, especialmente quando há desejo de gestação. Em alguns serviços, existem ainda técnicas de ablação que destroem o mioma com calor.

Cirurgia

A miomectomia retira os miomas e preserva o útero, por laparoscopia, cirurgia robótica ou cirurgia aberta, conforme o caso. Novos miomas podem surgir depois. A histerectomia, que é a retirada do útero, resolve os miomas de forma definitiva e pode ser considerada para mulheres com sintomas importantes que não desejam mais engravidar. É uma decisão que deve ser tomada em conjunto, com tempo para tirar dúvidas.

Alimentação e estilo de vida

Nenhum alimento faz o mioma desaparecer, e é bom desconfiar de promessas nesse sentido. Ainda assim, manter um peso saudável, controlar a pressão arterial, praticar atividade física e seguir um padrão alimentar rico em verduras, legumes, frutas e grãos integrais, com menos ultraprocessados e álcool, contribui para a saúde geral. Quem tem sangramento intenso pode se beneficiar de fontes de ferro, como carnes, feijões e folhas verde-escuras, combinadas com frutas ricas em vitamina C. Suplementos de ferro ou de vitaminas só devem ser usados com orientação, depois dos exames.

Na consulta com a Dra. Renata Belatti, médica ginecologista e nutróloga (CRM 169.361), a avaliação considera os sintomas, os exames de imagem e o impacto do sangramento na sua saúde, e a conduta é definida depois do exame presencial.

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Perguntas frequentes

Mioma pode virar câncer?

A transformação de um mioma em câncer é considerada rara. Existe um tumor maligno do músculo do útero, o sarcoma, que pode ser confundido com mioma em alguns casos, por isso crescimento rápido ou crescimento depois da menopausa sempre devem ser avaliados.

Mioma impede de engravidar?

Nem sempre. Muitos miomas não interferem na fertilidade. Os submucosos e alguns intramurais que deformam a cavidade do útero podem dificultar, e nesses casos o tratamento pode ser discutido antes de tentar a gravidez.

O mioma volta depois de retirado?

O mioma retirado não volta, mas novos miomas podem surgir enquanto houver estímulo hormonal, principalmente em mulheres mais jovens. Por isso o acompanhamento continua depois da miomectomia.

Todo mioma precisa de cirurgia?

Não. Miomas sem sintomas costumam ser apenas acompanhados, e muitos casos com sintomas são controlados com tratamento clínico. A cirurgia é indicada quando os benefícios superam os riscos para aquela paciente.

O mioma some na menopausa?

Ele não costuma desaparecer, mas tende a diminuir de tamanho e a parar de causar sintomas quando a produção hormonal cai.

Quem tem mioma pode fazer reposição hormonal?

Em muitos casos é possível, com avaliação individual e acompanhamento, já que os hormônios podem estimular o crescimento dos miomas. O tema é detalhado em reposição hormonal na menopausa.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica individualizada.

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