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Implante anticoncepcional: como funciona, colocação e retirada

Dra. Renata Belatti Dra. Renata Belatti · CRM 169.361 · Ginecologista e nutróloga 8 min de leitura

Pontos principais

O implante anticoncepcional é um bastão fino e flexível, do tamanho aproximado de um palito de fósforo, colocado sob a pele do braço para liberar continuamente um progestagênio e evitar a gravidez. Ele não depende de lembrar de tomar pílula todos os dias, age por alguns anos e pode ser retirado quando você quiser, com retorno da fertilidade em pouco tempo depois da retirada.

  • É um método de longa duração, reversível e que contém apenas progestagênio, sem estrogênio.
  • Age principalmente bloqueando a ovulação e deixando o muco do colo do útero mais espesso.
  • A colocação e a retirada são procedimentos rápidos, feitos no consultório com anestesia local.
  • A mudança no padrão de sangramento é o efeito mais comum e varia muito de uma mulher para outra.
  • Não protege contra infecções sexualmente transmissíveis, então o preservativo continua necessário para essa proteção.
  • A indicação depende de avaliação médica individual, que considera histórico de saúde e medicamentos em uso.

O que é o implante anticoncepcional subdérmico

O implante contraceptivo subdérmico é um pequeno bastão de material plástico flexível que contém um hormônio da família dos progestagênios, o etonogestrel. Ele fica logo abaixo da pele, na face interna do braço, e libera o hormônio de forma lenta e constante na circulação. Por isso entra no grupo dos chamados LARC, sigla em inglês para contraceptivos reversíveis de longa ação, ao lado dos dispositivos intrauterinos.

Como não tem estrogênio, o implante pode ser uma alternativa para mulheres que não podem ou não querem usar métodos combinados, como a pílula tradicional, o adesivo ou o anel vaginal. O tempo de uso é definido em bula, e a médica informa até quando ele mantém a ação contraceptiva e quando deve ser trocado.

Vale um cuidado com os nomes: o implante anticoncepcional aprovado para contracepção é diferente dos implantes hormonais manipulados, popularmente chamados de chip, usados com outras finalidades. Sobre esses últimos há restrições éticas e sanitárias em vigor, e o assunto é tratado no artigo sobre implante hormonal.

Como o implante anticoncepcional age no corpo

O progestagênio liberado pelo implante atua em mais de um ponto do sistema reprodutivo. O efeito principal é inibir a ovulação: o hormônio interfere nos sinais que o cérebro envia aos ovários, e o óvulo deixa de ser liberado na maior parte dos ciclos.

Além disso, o muco do colo do útero fica mais espesso, o que dificulta a passagem dos espermatozoides. O endométrio, camada que reveste o útero por dentro, também tende a ficar mais fino. A soma desses mecanismos faz do implante um dos métodos de maior eficácia disponíveis, justamente porque não depende de uso diário nem de cuidado no momento da relação.

A eficácia pode diminuir quando a mulher usa alguns medicamentos que aceleram o metabolismo hormonal no fígado, como certos anticonvulsivantes, alguns antibióticos usados para tuberculose, alguns antirretrovirais e fitoterápicos como a erva-de-são-joão. Por isso é importante contar à médica tudo o que você usa, inclusive produtos naturais.

Como são a colocação e a retirada

Antes da colocação

A consulta começa com uma conversa sobre seu histórico de saúde, ciclo menstrual, uso de medicamentos e planos de gravidez. A médica avalia se o método é adequado e escolhe o melhor momento para a inserção, que costuma ser planejado de acordo com a fase do ciclo ou com o método que você usa hoje. Quando não é possível descartar uma gestação, pode ser pedido um teste de gravidez antes do procedimento.

Como é a inserção

A colocação é feita no consultório e leva poucos minutos. Normalmente o implante vai no braço não dominante, na face interna, um pouco acima do cotovelo. Depois da limpeza da pele e da anestesia local, um aplicador próprio posiciona o bastão logo abaixo da pele, sem necessidade de pontos. No fim, a médica e você conseguem sentir o implante com a ponta dos dedos, o que confirma que ele está no lugar certo.

Nos dias seguintes é comum ter um pouco de dor local, inchaço ou mancha roxa, que tendem a desaparecer sozinhos. Sinais como vermelhidão crescente, calor, secreção ou febre merecem contato com a equipe médica, porque podem indicar infecção no local.

Como é a retirada

A retirada também é feita no consultório, com anestesia local e uma pequena incisão na pele, por onde o bastão é removido. Se você quiser continuar com o método, um novo implante pode ser colocado no mesmo momento. Raramente o implante fica mais profundo do que o esperado e não é palpável; nesses casos, exames de imagem ajudam a localizá-lo antes da remoção. O efeito contraceptivo cessa pouco depois da retirada, então outro método deve ser iniciado se não houver desejo de gravidez.

Padrão de sangramento e outros efeitos possíveis

A mudança no sangramento é o principal motivo de dúvida e também de desistência do método. Isso acontece porque o implante altera o comportamento do endométrio, e cada organismo reage de um jeito. Os padrões mais observados são:

  • ausência de menstruação, que não traz prejuízo à saúde quando o método está em uso;
  • sangramentos raros e espaçados;
  • sangramentos frequentes ou com escapes fora de época;
  • sangramentos mais prolongados do que o habitual.

Os primeiros meses costumam dar uma ideia de como será o padrão adiante, embora ele possa mudar com o tempo. Quando o sangramento incomoda, há condutas que a médica pode avaliar, e também é preciso descartar outras causas, como infecções ou alterações no útero. Outros efeitos relatados incluem acne, dor de cabeça, sensibilidade nas mamas, alterações de humor, variação de peso e cistos funcionais nos ovários, que geralmente regridem sozinhos. Nem toda mulher apresenta esses efeitos, e a intensidade varia bastante.

AspectoImplante anticoncepcionalPílula combinada
HormôniosApenas progestagênioEstrogênio e progestagênio
Forma de usoColocado sob a pele do braçoComprimido diário
Depende de lembrarNãoSim, todos os dias
Padrão de sangramentoImprevisível, pode ficar ausenteGeralmente regular nas pausas
Retorno da fertilidadeRápido após a retiradaRápido após a suspensão
Protege contra ISTNãoNão

Para quem o implante pode ou não ser indicado

Por não conter estrogênio, o implante costuma ser considerado para mulheres que querem um método eficaz e prático, que esquecem a pílula com frequência, que estão amamentando, que têm restrição ao estrogênio por enxaqueca com aura, tabagismo associado a outros fatores de risco ou histórico que contraindique métodos combinados. Também pode fazer sentido para quem deseja adiar a gravidez por um tempo maior sem abrir mão da reversibilidade.

Há situações em que o método não é indicado ou exige avaliação cuidadosa, por exemplo:

  • gravidez confirmada ou suspeita;
  • sangramento vaginal sem causa esclarecida;
  • câncer de mama atual ou passado, ou outros tumores sensíveis a hormônios;
  • doença hepática grave ou tumores no fígado;
  • trombose venosa em atividade;
  • alergia a algum componente do implante.

Essa lista é educativa e não substitui a consulta. A decisão leva em conta o conjunto: idade, doenças prévias, medicamentos em uso, expectativa em relação à menstruação e planos de gravidez. Se o seu objetivo for comparar com métodos intrauterinos, vale ler também sobre DIU hormonal ou DIU de cobre.

Decisão com acompanhamento médico

Escolher um anticoncepcional é uma decisão compartilhada. Na consulta com a Dra. Renata Belatti, médica ginecologista e nutróloga (CRM 169.361), a conversa passa por como você se sente com possíveis mudanças no sangramento, quais métodos já usou, o que funcionou ou não, e quais cuidados de saúde precisam entrar na conta. O acompanhamento continua depois da colocação, com retorno para avaliar adaptação e esclarecer dúvidas.

Mesmo com um método de longa duração, a rotina ginecológica segue importante. Os exames ginecológicos de rotina continuam sendo feitos conforme a orientação médica, e o preservativo permanece o recurso para reduzir o risco de infecções sexualmente transmissíveis.

Leia também

Perguntas frequentes

O implante anticoncepcional dói para colocar?

A anestesia local reduz bastante o desconforto. Costuma haver uma sensação de picada na aplicação do anestésico e, depois, dor leve ou mancha roxa no braço por alguns dias.

Quanto tempo o implante anticoncepcional dura?

O prazo de ação é definido em bula e corresponde a alguns anos. A médica informa a data prevista de troca no seu caso e você pode retirar antes, se desejar.

O implante faz engordar?

Algumas mulheres relatam variação de peso, mas isso não acontece com todas e outros fatores costumam influenciar. Se notar mudanças, converse com a médica para uma avaliação completa.

Depois de tirar o implante, demora para engravidar?

Em geral a fertilidade retorna pouco tempo depois da retirada. Por isso, se não houver desejo de gravidez, é preciso iniciar outro método logo em seguida.

Posso colocar o implante se estiver amamentando?

Por conter apenas progestagênio, o implante costuma ser uma opção considerada durante a amamentação. O momento ideal da colocação é definido na consulta.

O implante protege contra infecções sexualmente transmissíveis?

Não. Ele só previne a gravidez. Para reduzir o risco de infecções sexualmente transmissíveis, o preservativo continua necessário.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica individualizada.

Quer conversar sobre o seu caso?

Atendimento particular em São José do Rio Preto/SP, com tempo de consulta.

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